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segunda-feira, 1 de março de 2010

Ba-Vi com triunfo tricolor coloca fogo no Baiano

O triunfo do Bahia sobre o Vitória, por 2 a 1, no maior clássico do nordeste pode até ser minimizado pela torcida rubro-negra, alegando que o clube não tinha o mesmo interesse do rival por já estar garantido na segunda fase. No entanto, por mais que o resultado não tenha determinado, de maneira concreta, nada para o futuro do certame, é inegável que tenha servido para colocar fogo na competição, inflamando os tricolores.

Para o Bahia, o resultado demonstrou que, ao contrário, das duas últimas edições do Baiano, quando o time largou na frente, inclusive vencendo os Ba-Vis inaugurais, mas perdeu o fôlego e o troféu, desta vez, o clube pode estar trilhando o caminho inverso. Começou levando 2 a 0 no clássico, mas já conseguiu vencer o segundo.

O triunfo serviu também para quebrar o bom retrospecto do rubro-negro em Pituaçu. Nos três clássicos anteriores disputados nesta praça esportiva, desde a sua reinauguração, o Leão havia vencido dois e empatado o outro. Agora, o tricolor continua levando vantagem no retrospecto recente dos jogos no Barradão, e acabou com o tabu negativo no Roberto Santos. O que conta muitos pontos no quesito emocional para uma possível decisão entre o maiores rivais do Estado.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

E a experiência pesou

No duelo da experiência contra a juventude no primeiro Ba-Vi de 2010, a experiência levou a vantagem e o Vitória venceu por 2 a 0, em Pituaçu. Principalmente, por causa da qualidade técnica e da liderança de Ramon, que cruzou para o gol de Wallace e ainda fez o segundo, ainda orientou a sua equipe o tempo inteiro e não deixou de desestabilizar os garotos tricolores com a sua já conhecida catimba.

O time do Bahia foi jovem e Renato Gaúcho abriu mão apenas de dois jogadores experientes que estavam à disposição: o meia Juninho e o atacante Edilson. Rogerinho, Nen e Alison ainda não poderiam atuar. Já o Vitória optou pela estreia de Schwenck, além de contar com Viáfara, Vanderson, Bida, Ramon e Índio. Por isso, pareceu menos nervoso.

Para mim, além de Ramon, outros destaques do jogo foram Nino Paraíba, Bida, Ávine e Leandro. Além de Wilson Júnior e Vilson, que tiveram pouco tempo para mostrar futebol.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

E o ano começa na Bahia...

Geralmente se diz que na Bahia o ano só começa depois do carnaval. Para quem gosta de futebol, na verdade, 2010 começa cedo, já neste domingo, com o primeiro Ba-Vi. Ainda não deu nem para esquentar o Campeonato Baiano, mas a rivalidade deve fazer isso em Pituaçu.

O Bahia vem melhor, com duas goleadas, enquanto o Vitória uma partida sem convencer e perdeu a outra. Parece uma boa oportunidade para o tricolor conseguir vencer o clássico pela primeira vez no estádio de Pituaçu depois da sua reinauguração. Favoritismo, entretanto, nunca combina com clássico e, às vezes, é até ruim.

Os dois times ainda não tiveram muito tempo para testar e, por isso mesmo, seus técnicos devem ter muitas dúvidas. No Bahia, se puder contar com jogadores mais experientes como Nen, Rogerinho, Rodrigo Gral e Edilson, a grande dúvida é se vale a pena mexer no time que está vencendo com os garotos. Se eles não puderem jogar, acredito que a única mudança no time titular será a entrada de Wilson Júnior, que já parece mais pronto com três gols em três partidas no profissional, no lugar de Hélder, que mostrou talento, mas ainda não desencantou.

A entrada de Edilson pode ser boa para impor respeito aos defensores rubro-negros, que devem tomar todo cuidado com Vagner na área. Por outro lado, os beques e volantes tricolores deverão ter as atenções voltadas para Índio, que ainda não flechou em sua volta, mas, assim como Edilson, impõe respeito. O torcedor do Bahia pelo menos deverá ver um jogador do nível de Leandro o marcando, ao invés de Humberto, que foi pífio, como diria meu amigo Daniel Dórea, em todas as suas tentativas de parar o cacique rubro-negro.

Se o Bahia jogar apenas com os meninos, o rubro-negro poderá tentar levar vantagem na base da manha, da experiência, com jogadores como Ramon, que cresce absurdamente em todos os Ba-Vis, Vanderson, que gosta de intimidar os adversários, além de Schwenck, que pode estrear. Não comentei ainda, mas, para mim, o lateral-direito Marcos Pimentel, que ainda não jogará o clássico, foi a melhor contratação do ano no Vitória. Já o acompanho desde a época do Ferroviário, junto com Ewerton, hoje no Fluminense, e Fernandinho, hoje no São Paulo, naquele time que deu 7 no Bahia.

Emoção não deve faltar!!!

domingo, 3 de maio de 2009

Vitória tricampeão baiano

Leandro Silva

O empate por 2 a 2 no Barradão, contra o Bahia deu o título ao Vitória, o tricampeonato e o sétimo em 8 anos. Neste milênio apenas duas vezes o rubro-negro não foi campeão, com a honra ficando a cargo de Bahia e Colo-Colo. O troféu ficou com a equipe que fez a melhor campanha e que já havia vencido o primeiro clássico da final, na semana passada por 2 a 1, em Pituaçu.

O Bahia precisava vencer por dois gols de diferença para acabar com o incômodo jejum de títulos, que já chegou a oito edições. Gallo fez algumas alterações no time com relação àquele que foi derrotado no jogo de ida. Com a suspensão de Patrício, Marcone foi improvisado na lateral-direita, abrindo espaço para a volta de Rogério na cabeça-de-área. Léo Medeiros pegou a camisa 10 de Ananias. Ávine assumiu a vaga de Rubens Cardoso, na lateral-esquerda, e o atacante Paulo Roberto ganhou a posição de Beto.

Já Carpegiani manteve a formação vencedora no primeiro Ba-Vi e no jogo do meio de semana contra o Atlético Mineiro, pela Copa do Brasil. Quando a bola rolou, debaixo de muita chuva, o que se via era um Bahia mais organizado e mais empenhado, mas o jogo era equilibrado, até que Paulo Roberto deu um ótimo passe para Reinaldo Alagoano, que chutou forte, com precisão, abrindo o placar, aos 10 minutos de jogo.

A superioridade tricolor permanecia. O Vitória não conseguia jogar como no jogo anterior. Apodi, por exemplo, que tinha sido decisivo no jogo anterior, tinha conseguido apenas chutar uma bola na trave, depois que Ávine recuou uma bola errada. No mais, o camisa 6 do Bahia levava a melhor nas disputas com o camisa 2 rubro-negro. E foi coroado no final da primeira etapa, com um gol depois de grande jogada tricolor.

Em apenas 45 minutos, o Bahia já tinha feito tudo o que precisava para ficar com o troféu. Nem tudo. Faltava resistir à pressão rubro-negra. E o tricolor não conseguiu repetir a atuação do primeiro tempo. O Vitória começou a se encontrar e foi beneficiado por erros de Gallo e do juiz Leandro Vuaden.

Primeiro, Gallo chamou o atacante Cadu, para substituir Reinaldo. O problema é que Alagoano fazia a sua melhor partida no tricolor e Cadu jogou mal em todas as suas chances anteriores. Antes mesmo de ele entrar, Neto Baiano fez falta em Evaldo na área, Vuaden ignorou, e fez o gol do Vitória.

Cadu entrou e, no seu primeiro lance, chutou um jogador do Vitória e foi expulso. Com um a menos, o Bahia ainda tentou, mas parecia muito mais longe do troféu. No final, Vuaden errou novamente. Deu um pênalti inexistente a favor do rubro-negro. O experiente Ramon, que não tinha nada a ver com isso, cobrou bem e garantiu o tri. No final, começou uma pancadaria generalizada no gramado , protagonizada por jogadores e funcionários dos dois clubes.

O Campeonato está aberto. E ele tem culpa

Leandro Silva

Ele nunca foi unanimidade no Bahia. Nem em 2006, nem em 2008. Muito longe disso. Na verdade, poucos torcedores diziam gostar dele. Mesmo assim, é inegável a sua aptidão para os clássicos. E, mesmo depois de já ter saído do clube, o arqueiro Darci tem a sua importância sentida hoje. Inclusive sendo um dos responsáveis pela confiança da torcida do Bahia, que diz acreditar na reversão da vantagem rubro-negra na final de hoje.

Tudo por causa do clássico disputado no dia 21 de maio de 2006, há quase três anos. Quando o tricolor venceu por 1 a 0, acabando com um incômodo jejum de oito anos, no Barradão. Naquele período, bastava ver na tabela um clássico no estádio do rival para a torcida do Esquadrão se preocupar, mesmo com o último título do clube - o Campeonato do Nordeste de 2002 - tendo sido conquistado lá.

Naquele dia, o Bahia foi eliminado na semifinal do segundo turno do Baiano, mas devolveu a confiança de atuar, e vencer, no Manoel Barradas. De lá para cá, só deu Bahia, ou empates, nesta praça esportiva. “Não sei se é coincidência ou não, mas foi no meu primeiro Ba-Vi que o Bahia quebrou esse tabu”, me disse o goleiro, quando o entrevistei no ano passado.

Quando o jogo estava empatado, ele defendeu um pênalti que garantiu a igualdade no marcador até que no final, o zagueiro Laerte decretou a vitória tricolor. Nas quatro vezes em que atuou no estádio, Darci saiu vencedor. E ainda pegou um outro pênalti, na Série C de 2009.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Vantagem ampliada

Leandro Silva

O Vitória já tinha a vantagem de poder empatar duas vezes e agora pode até perder por 1 a 0 no próximo Ba-Vi, no Barradão para ficar com o seu 25º título estadual, graças ao triunfo por 2 a 1 ontem em Pituaçu. No entanto, o campeonato ainda não está decidido.

Apesar de o fato de jogar fora de casa a próxima partida sugerir uma dificuldade ainda maior para o Bahia é justamente lá que o clube tem feito suas melhores apresentações nos clássicos. Nos três últimos embates, por exemplo, o tricolor fez placares que, se forem repetidos domingo, serão suficientes para a 44ª conquista estadual do Esquadrão. Foi 2 a 0 pela primeira fase do campeonato passado, 4 a 1, pela fase final, e mais 2 a 0 pela fase inicial desse ano.

Fora isso, as provocações exageradas de alguns jogadores do Leão, como Vanderson e Apodi após o resultado e Neto Baiano, imitando choro ainda no primeiro gol, podem servir de combustível para uma reação tricolor. Nunca é demais lembrar que em 2008 a competição já parecia finalizada após a goleada de 4 a 1 do tricolor mas, após uma semana de muita gozação, o rubro-negro venceu por 3 a 0, em Feira e acabou com o troféu.

O JOGO

O Vitória teve os seus méritos ontem, por saber explorar algumas falhas tricolores, mas deve muito do seu resultado a dois jogadores: Ramon e Apodi. O camisa 10 fez os dois gols e, com a sua experiência, ajudou a desestabilizar o rival, já o camisa 2 teria feito uma partida irrepreensível, não fossem atitudes desleais, como a voadora que aplicou no centroavante Reinaldo, do Bahia ainda no primeiro tempo, quando contou com a conivência da arbitragem para permanecer em campo e decidir o jogo ao sofrer o pênalti do segundo gol, após já ter sido o autor do cruzamento para o primeiro.

Já o Bahia errou demais. Nos dois primeiros Ba-Vis, o tricolor conseguiu anular completamente o lateral Apodi. No primeiro, o meia Ananias foi o responsável pela marcação. No segundo, foi o lateral-esquerdo Ávine. Apodi não fez rigorosamente nada de perigoso nesses dois clássicos. A escalação de ontem parecia indicar que o camisa 10 Ananias seria novamente o responsável pelo serviço, mas Gallo deve ter imaginado que o ala foi nulo por não possuir qualidades e não pelos méritos de terem bloqueado suas jogadas. Com liberdade, ele fez o que quis, deitando e rolando em cima de Rubens Cardoso.

Além disso, o meio-de-campo foi mal. A torcida já reclamou desde a escalação. Principalmente com a presença de Marcone, no lugar de Rogério, suspenso, e de Ananias, no lugar de Léo Medeiros, que ficou o jogo todo no banco. No entanto, Marcone foi o melhor do setor (volto a dizer que a torcida implica com o volante por ele ter atuado mal em algumas partidas sempre improvisado). Ananias, também, não estava mal até falhar no lance do segundo gol. Quem esteve muito abaixo do seu nível foi Elton. Como ele estava mal e Ananias não tem corpo para levar vantagem contra os volantes e zagueiros fortes do Vitória, o meio tricolor ficou entregue.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Deu a lógica: Ba-Vi na final

Leandro Silva

Depois de dois anos com quadrangulares finais decidindo o campeonato e mais um em que a final foi entre Vitória e Colo-Colo, volta a ter Ba-Vi decidindo o Estadual. Tricolores e rubro-negros passaram por Fluminense de Feira e Atlético com placares idênticos: 2 a 1, no interior, e 3 a 1 na capital.

Por ter feito melhor campanha na primeira fase, o Vitória tem a vantagem dos dois empates nas decisões. A primeira já acontece domingo, em Pituaçu e a segunda, no outro domingo, no Barradão. Apesar de o Leão ter a melhor campanha, não há um favoritismo para os confrontos. Não só pela máxima de que em clássicos não existem favoritos, mas também porque os dois times têm um nível muito parecido - melhores do que do Baiano de 2008.

O que pode desequilibrar a balança a favor do Bahia é o fato de que o tricolor foi melhor nos dois clássicos da temporada. Venceu por 2 a 0, no Barradão, e empatou em 0 a 0, em Pituaçu, com um a menos desde o início do jogo por causa da expulsão do goleiro Marcelo.

O Bahia começou a temporada de maneira empolgante com grandes atuações e goleadas, mas depois irritou a torcida com alguns resultados ruins atuando com a equipe reserva. O time principal perdeu apenas uma vez na temporada, para o Feirense, em Feira. Desde que o time principal voltou a jogar, contra o Coritiba, no empate, no Paraná, que eliminou o time na Copa do Brasil, e nas duas semifinais foram três boas atuações, que devolveram a confiança.

Para as finais, os destaques são o zagueiro Nen, sempre seguro, seu companheiro Evaldo, que vem subindo de produção, o cabeça de área Leandro, também. E o atacante Beto. Mas o time depende muito da volta à boa fase de dois meio-campistas: Elton e Léo Medeiros. Se jogarem o que já jogaram poderão ser muito importantes para um triunfo. No último jogo, as entradas de Alex Maranhão, Ávine e Alex Terra deram outras opções para Gallo.

No Vitória, a campanha foi boa, o time eliminou o Juventude na Copa do Brasil, masa torcida parece sempre com um pé atrás com o time, talvez pelas más atuações justamente nos confrontos contra o maior rival. Fato é que, depois de uma queda de rendimento no tempo de Mauro Fernandes, o time cresceu sob o comando do interino Ricardo Silva e vem se mantendo com Paulo César Carpegiani.

Apesar de a torcida rubro-negra continuar pegando no pé, uma das principais armas do time é o atacante Neto Baiano, artilheiro do estadual. O lateral-direito Apodi sempre representa muito perigo e costuma atuar bem contra o rival. Na zaga, a entrada de Marcos Aurélio pode representar um aumento na segurança. No meio, a volta de Vanderson também é importante e os veteranos Jackson e Ramon podem ser fundamentais para tentarem manter a vantagem nos jogos finais.

Com muita rivalidade e equilíbrio, os Ba-vis prometem!!!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Vitória 0 x 2 Bahia - no blog de Mauro Beting

Leandro Silva

O clima de rivalidade que tomou conta da cidade era visível por todas as partes: azul, vermelho e branco e vermelho e preto deixavam o verão de Salvador ainda mais colorido, desde cedo. Era o 415º Ba-Vi. No entanto, ao final do dia, apenas os tricolores tiveram razão para enfeitar as ruas da cidade com a conhecida combinação de cores, após os 2 a 0, que garantiram a liderança, mesmo com um jogo a menos que o rival e a manutenção de um tabu de 3 anos, ou 7 jogos, sem perder no Barradão, com 5 triunfos e 2 empates.

Quanto mais se aproximavam as 17 horas e a área do estádio Manoel Barradas, maior a concentração de cores na cidade. A festa nas arquibancadas era bonita e não parou, mesmo depois que cerca de 50 torcedores do Vitória ficaram feridos por causa de um tumulto envolvendo a polícia na maior torcida organizada do clube.

A rivalidade mostrou as caras logo em um dos primeiros lances do jogo, quando o tempo fechou depois que o volante Vanderson deu uma cabeçada no garoto Ananias.

A torcida do Bahia, assistia, assustada, a um primeiro tempo de pressão do Vitória, que desperdiçou grandes chances com o ídolo Nadson, ex-Corinthians, um gol feito, e vários chutes para o alto do veterano Jackson, ex-Palmeiras.

O término do primeiro tempo com o placar inalterado foi um alívio para a torcida do Esquadrão, mesmo com um esquema ofensivo com dois meias-atacantes e dois atacantes, o Tricolor foi encurralado.

No intervalo, Gallo começou a ser decisivo. Sacou o meia Hélton Luiz, ex-Náutico,destaque do clube no campeonato, e colocou o volante Léo Medeiros, ex-Flamengo. Parecia a senha para armar uma retranca para segurar o empate. Ledo engano. Foi aí que o time deslanchou. Com passes longos e precisos, Léo fez o time do Bahia voar em campo e surpreender o Vitória. Mas ainda faltava uma correção de rota. O treinador havia preferido improvisar o volante Marcone na lateral-direita, deixando o titular Patrício, no banco, por condições físicas, mas o garoto, apesar da vontade não conseguia colaborar ofensivamente. Com a entrada do veterano ex-gremista, o time ganhou mais opções ofensivas e foi ele quem descobriu o baixinho Beto, sozinho do canto da área, livre para colocar o Bahia na frente. Ele chutou cruzado, mas quem tocou contra a própria meta, tentando cortar, foi o ex-palmeirense Thiago Gomes.

Festa do lado tricolor das arquibancadas do Manoel Barradas. A partir daí, o Leão parecia nervoso. Melhor para o Bahia. Logo depois, Patrício fez um lançamento para o volante ex-atleticano Elton, mas a bola seria interceptada pelo goleirão colombiano Viáfara. Seria, porque o arqueiro vacilou e a bola passou por baixo das pernas. Atento, o volante pegou do outro lado, puxou para a perna esquerda e tocou para o gol vazio. A festa não tinha mais hora para acabar para a maior torcida da cidade.

Méritos para um time que conseguiu se reinventar no intervalo, graças ao olhar aguçado do paulista Alexandre Gallo, mas também pela entrega de todos, a exemplo dos zagueiros Alison e Nen, os volantes Leandro Makelele e Elton e o meia Ananias.

Ainda houve espaço para o ex-presidente rubro-negro Paulo Carneiro e o Governador Jaques Wagner serem cantados pela torcida tricolor e xingados pela torcida rubro-negra. Agora, o Bahia tem 16 pontos, invicto, contra 15, do Vitória, que tem um jogo a mais. Na teoria, o resultado de ontem deve servir apenas para ajudar a garantir vantagem em uma futura e possível final. Na prática, é como mais um título para o tricolor, no campeonato da rivalidade.

Texto postado no blog de Mauro Beting

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Texto no blog de Mauro Beting

Leandro Silva

O Vitória tinha 100% de aproveitamento, mas só tinha conseguido jogar bem mesmo na goleada de 7 a 0 sobre o Poções. Perdeu na quarta-feira para o Fluminense, em Feira de Santana. Já o Bahia empatou o primeiro jogo, mas ganhou os quatro seguintes e é o único invicto. Tem um jogo a menos e se vencer domingo assume a liderança. No meio de semana, deu 6 a 0 no Atlético de Alagoinhas, no estádio de Pituaçu.

É o segundo jogo do estádio depois da reinauguração e no primeiro o Bahia já havia goleado o Ipitanga por 4 a 0. A torcida do Bahia está em uma empolgação só. Primeiro, porque passou o ano todo com o time jogando fora de Salvador. No ano inteiro, só jogou dois jogos na capital (os dois clássicos, que venceu, no Barradão, por 2 a 0 e 4 a 1).
Além do mais, o time está aparentando ter mais qualidade que os dos últimos tempos. O goleiro Marcelo, ex-Corinthians, caiu nas graças da galera com as grandes atuações - até o momento, não sofreu gol com a bola rolando no campeonato, foi vazado apenas em duas cobranças de pênalti. Os laterais Patrício e Rubens Cardoso ainda não parecem 100%, mas já fizeram gols e ótimos cruzamentos. O zagueiro Nen, ex-Palmeiras e Atlético-MG, veio para arrumar a cozinha tricolor e dá tranquilidade pra quem joga do seu lado, seja Alison ou Rogério. Rogério Correia ainda não estreou. No meio, Leandro Makelele e Elton têm protegido bem a defesa, mas os xodós da hora são os baixinhos Hélton Luiz, ex-Náutico, e Beto, ex-Atlético Mineiro.

O Vitória perdeu muitos destaques da boa campanha do Brasileiro passado, como Willians, Marquinhos, Marcelo Cordeiro, Renan, Leonardo Silva, Dinei, mas segurou alguns como o goleiro Viáfara, o zagueiro Anderson Martins e ainda contou com a volta de Bida, Apodi e Nadson, e com a contratação de jogadores como Cristian, Willian, Rafael Bastos e Washington.
Dois fatores extra-campo também apimentam a rivalidade. É o primeiro clássico desde que Paulo Carneiro, que era presidente do Vitória por muitos anos, foi para o Bahia. E muitos rubro-negros estão mordidos com a migração. Do mesmo modo, a torcida do Vitória anda na bronca com o governador Jaques Wagner, tricolor declarado, que teria mostrado um empenho exagerado na reconstrução do estádio Roberto Santos, de Pituaçu.
É promessa de muita disputa no Barradão, onde o Bahia não perde há seis jogos.

Texto publicado originalmente no blog do Mauro Beting

Entrevista com Elias sobre o Ba-Vi

Leandro Silva
Destaque do último Ba-Vi, no Barradão, o meia Elias agora está no Atlético Goianiense. Suspenso na rodada do Goianão, ele irá reforçar a torcida tricolor por mais um triunfo no Barradão. Confira o bate-papo do antigo camisa 10 com este blogueiro:
Leandro Silva: E aí, Elias? Está acompanhando o Bahia, mesmo de longe?
Elias: Tô, sim. Tenho muitos amigos aí, né? Tanto no Bahia quanto fora também que sempre me falam como o Bahia está.
L.S: Está torcendo por uma vitória domingo do Bahia? Ou, como profissional, prefere ficar isento?
E:
Com certeza. Apesar de ter saído daí, tenho um carinho enorme pelo clube. Se eu sou quem sou hoje, devo muito ao Bahia. Então não tem como eu esquecer.
L.S: Arrisca um placar?
E: 1 a 0 pro Bahia
L.S: E quem você acha que pode chamar a responsabilidade nesse clássico?
E: Acredito que Patrício e Rubens Cardoso, que são os mais experientes. Então, eles podem ajudar bastante num clássico difícil como esse. E pelo que eu tô acompahando, tem esse Hélton Luiz, né? Eu não conheço, mas parece que está se destacando bem. Pelas informações que eu tive de muitos amigos meus que assistiram aos jogos e falaram muito bem dele.
L.S: E de todos os Ba-Vis que você disputou, qual foi o que ficou mais marcado?
E: Com certeza, o de 4 a 1, no Barradão. Foi um dos jogos mais gostosos de minha carreira. Ganhar um Ba-vi no Barradão ja é gostoso, ainda mais de 4 a 1. Então, com certeza, foi esse. E ainda fiquei chateado quando saí do jogo justamente porque eu sabia que dava para a gente ganhar de uns 6 ou até 7. Porque, pra você ver, tava 4 a 1 com 10 minutos do segundo tempo, aí, se eu não me engano, com uns 15, Vanderson foi expulso. Aí, logo em seguida, Comelli me tirou. Achei que dava para a gente fazer mais gols e não recuar o time como ele fez. Mas foi uma opção dele, né? Não podia fazer nada.
L.S: Você se lembra quantos gols fez nos clássicos do profissional?
E: Acho que foram 4.
L.S: E na base, a rivalidade era maior, igual ou menor?
E: É claro que tem muita rivalidade também na divisão de base, mas, com certeza, nunca será igual à do profissional. A responsabilidade de um clássico no profissional é bem maior, mas é sempre bom vencer um clássico independente de onde seja.
L.S: E mesmo quem não é baiano se envolve nesse clima fácil, não é? Ou você já percebeu colegas que vieram de fora e pareciam um pouco alheios a essa rivalidade?
E: Já vi as duas coisas. Já vi colegas que não tavam nem aí. Não se envolviam muito. Como também já vi muitos colegas se envolverem bastante, também. Acho que isso é bem relativo. Alguns se envolvem, outros, não. Eu me envolvi bastante porque criei um carinho especial pelo clube. Sempre que entrava pra jogar, procurava fazer meu melhor para o bahia e quando chegava num jogo desses, que é especial, me envolvia até demais, eu acho (risos).
L.S: Até esquentava a cabeça, não, é?
E: Pra você ver. A vontade era tão grande de ajudar o bahia a vencer, que até acabei me excedendo um pouco em alguns jogos.
L.S: Conta como é que está aí, no Atlético Goianiense.
E: Graças a Deus, estamos fazendo um bom trabalho. Mas temos objetivos bem maiores do que ganhar 4 jogos. Queremos o título e depois subir para a Série A junto com o Bahia, com fé em Deus. Na verdade, aqui tá um mini-Bahia (risos). Tem Márcio, Chiquinho, Jair, eu e Luciano Totó. Jair tá bem demais aqui, cara. Nos 4 jogos, ele arrebentou. O time tá muito igual. Aqui, o elenco tá muito bom. Pra você ver, no jogo contra Itumbiara, que é o atual campeão e tem Túlio e Denilson, a gente tava com 7 desfalques e demos 3 a 1.

Ba-Vi será de maior rivalidade dos últimos anos

Leandro Silva

A torcida baiana acompanha neste domingo o Ba-Vi de maior rivalidade dos últimos 10 anos. Em 1999, os dois times dividiram o título porque a final não aconteceu. O Vitória foi para o Barradão - palco do jogo deste domingo- e o Bahia, para a Fonte Nova. Os presidentes Marcelo Guimarães, do Bahia, e Paulo Carneiro, do Vitória, travaram uma violenta disputa de bastidores e microfones. Desde então, nenhum confronto reuniu tanto tempero para acirrar os corações das torcidas.

No ano passado, o Bahia, que mandava seus jogos em Feira de Santana, tentou o empréstimo do Barradão na Série B, mas a diretoria rubro-negra não concordou. Posteriormente, quando seria vantajoso para o Leão abrigar os jogos do tricolor, por atrair recursos da Petrobrás, foi a vez do rival não querer mais.

Outro chamariz para o clássico envolve o ex-chefão do Vitória, Paulo Carneiro, que deixou o clube em 2005, após a queda para a Série C. Depois de quatro anos afastado da bola, Carneiro foi contratado pelo atual presidente, Marcelo Guimarães Filho, para revolucionar o departamento de futebol do tricolor. A troca de camisa está lhe custando um processo de expulsão do conselho rubro-negro.

Mais um ingrediente do Ba-Vi fica por conta da bronca da torcida leonina com o governador Jaques Wagner, tricolor, por causa do empenho na reinauguração de Pituaçu - mando de campo do Bahia - e por supostos benefícios ao Esquadrão. E mais: o jogo acontece na semana em que a cidade respira futebol por causa da visita da Fifa, que vai indicar as subsedes para a Copa de 2014. A torcida do Vitória está contente com a classificação do time na Sul-Americana e a do Bahia recuperou a confiança com a mudança de diretoria.
Nos bastidores, mais pimenta. A ida de Carneiro ao Bahia não foi a única mudança de ares polêmica. A cozinheira Fernanda fez greve por não receber salários no Bahia e foi demitida. Logo depois, foi parar na cozinha rubro-negra. Com direito a apresentação para a imprensa em clima de deboche.

Tecnicamente, também, o jogo promete. Reúne as duas equipes de melhor campanha do Estadual. A igualdade de condições entre Bahia e Vitória para o jogo é tamanha que as duas torcidas podem reivindicar o fato de ter o melhor time da competição até o momento.

O Vitória é o líder com 15 pontos ganhos. O Bahia vem em segundo com 13 e reivindica o melhor aproveitamento do campeonato, uma vez que teve o jogo contra o Madre de Deus adiado para sábado de carnaval. O Leão, que tinha 100% de aproveitamento até a última quarta-feira, quando perdeu para o Fluminense, vem mordido.

Nos bancos, pela primeira vez em Ba-Vis, estarão os treinadores Alexandre Gallo, do Bahia, e Vagner Mancini, do Vitória, amigos de infância no interior paulista de Ribeirão Preto. Lá, eles também se dividiam no clássico local. Gallo torce para o Botafogo e Mancini, para o Comercial.
Matéria publicada originalmente no Jornal A Tarde do dia 8 de fevereiro de 2008

domingo, 27 de abril de 2008

Tem que ter disposição

Leandro Silva

A fórmula do Campeonato Baiano tirou a possibilidade de haver uma final, mas o clima hoje no Jóia da Princesa é de decisão. Não desprezando a força já comprovada do Vitória da Conquista, mas o Ba-Vi é um campeonato à parte e hoje é a quarta etapa desse torneio. O Bahia levou a melhor nas três primeiras. E depois de hoje, não adianta: os rivais só voltam a se enfrentar em 2009.

Se o tricolor vencer, o rubro-negro está praticamente eliminado. Um empate também deixaria o Leão em situação ruim. Por isso, vencer é a única saída para os rubro-negros que ainda não tiveram a chance de escolher a trilha sonora de um clássico esse ano.

Já teve ´Beber, cair, levantar´, ´Créu´ e por último ´Chupa que é de uva´. Qual será a trilha sonora do quarto Ba-Vi do ano?

A rivalidade está em alta depois da goleada da rodada passada. E para tricolores ou rubro-negros dançarem o créu da vitória, hoje, no Jóia, vai ser preciso ter muita disposição.

No Ba-Vi passado, a vontade e a entrega em cada lance dos jogadores do Bahia superou às dos jogadores do Vitória. Mas para tentar a quarta vitória em clássicos no ano, os tricolores terão que se entregar ainda mais porque os rubro-negros, mordidos pelo vexame, devem jogar com muito mais vontade.

Marcas– Invicto há 14 partidas pelo Baiano e há 12 no ano. O Bahia é o melhor mandante do campeonato, mesmo andarilho, e é o único invicto em casa. Por outro lado, o Leão é o visitante mais desagradável. Se perder hoje, será superado pelo Bahia.

Para preocupar os tricolores, desde 2001, o Bahia não consegue vencer a partida seguinte a uma vitória em Ba-Vi. Mas, naquele ano, o Bahia também venceu o Ba-Vi por 4 a 1 e conseguiu vencer o Flu de Feira por 1 a 0 na sequência pelo Nordestão.

Carrascos– Eles não são centroavantes como Marcelo Ramos, ou Agnaldo Capacete, que entristeciam as torcidas do Vitória e do Bahia, respectivamente, em um passado não tão distante, mas o dublê de volante e zagueiro Rogério, pelo lado do Bahia, e o meia Ramon, pelo Vitória, são os carrascos atuais dos rivais.

Rogério, que não levou nenhum cartão no Baiano, vem embalado depois de fazer três gols nos dois últimos Ba-Vis. O primeiro foi no palco da partida de hoje. No quarto Ba-Vi no ano, e do Jóia, o camisa 4 tentará seu quarto nos clássicos. Já Ramon este ano só atuou no clássico da semana passada quando deu a assistência para o gol de honra de Marco Antônio.

A fama de carrasco do camisa 10 vem da primeira passagem do meia pelo Leão, quando marcou muitos gols em Ba-Vis. Só no Barradão, foram cinco.

Mistérios– O destino, e a indisciplina deles, quis que os Ba-Vis da fase final fossem desfalcados dos goleadores das equipes. Se no primeiro Ba-Vi da fase final, o rubro-negro não pôde contar com o seu artilheiro Rodrigão, hoje é o Bahia que terá a ausência do seu goleador, Elias.Assim, a única dúvida na escalação fica por conta do substituto dele: Everton ou Ananias.

No lado rubro-negro, as dúvidas são muitas. Rodrigão volta, e Marco Aurélio também deve voltar depois da mal fadada experiência de escalar Willians na lateral. Enquanto isso, muitos podem perder o lugar. O goleiro Ney, muito criticado pelas últimas partidas, deve ser substituído por França, que era também perseguido por suas más atuações enquanto Ney estava de molho.O time pode vir mais fechado com a entrada do volante André Silva ao lado de Renan.

Os ingressos de meia só começam a ser vendidos hoje no Jóia.

Matéria publicada originalmente no Jornal A Tarde do dia 27/04/2008

domingo, 20 de abril de 2008

Caldeirão ou parque de diversões


Leandro Silva

Considerado um alçapão, o Barradão, palco do Ba-Vi de hoje, já foi muito mais temido não só pelo Bahia, mas por todos adversários do Vitória, incluindo os grandes do sul e do sudeste do País. Clássico no Barradão era sinônimo de pesadelo para a torcida tricolor, já que o Bahia passou oito anos sem vencer no caldeirão rubro-negro. Mas, hoje, o tabu mudou de lado e o Bahia já sustenta cinco clássicos de invencibilidade no estádio, quatro pelo Campeonato Baiano.

Desde maio de 2006, o tricolor não sai do Manoel Barradas derrotado. Outrora, um caldeirão fervente que gerava um clima assustador para o Bahia, será que o Barradão está se tornando um parque de diversões tricolor? Ou um ‘recreio dos tricolores’ como o diretor de futebol do Bahia Ruy Acciolly se referiu ao estádio em entrevistas depois da vitória no primeiro Ba-Vi do ano?

Os torcedores rubro-negros tentam explicar essa queda de rendimento nos clássicos em casa. “São coisas do futebol. Particularmente achei o Vitória favorito em todos os cinco últimos Ba-Vis, tanto é que em todos esses torneios terminamos na frente do Bahia”, diz Alexandro Ribeiro, um dos autores do livro ´Barradão - alegria, emoção e Vitória´, que conta a história do estádio do Leão.

Também autor do livro, Luciano Santos também encontra dificuldades para explicar a mudança. “Rapaz, é difícil explicar isso. A explicação talvez esteja mais do lado do Bahia do que do Vitória. Talvez, a gente tenha ficado um bom tempo distanciado do Bahia em termos de elenco e agora esteja mais equilibrado”.

Diretor de futebol do Bahia, Ruy Acciolly pensa da mesma forma. “O que mudou foi que o Bahia fez times melhores, mais fortes e os resultados apareceram”, opina.

Por mais que se tente diminuir a força dos tabus, é inegável a sua interferência nos resultados no futebol. A vontade de quebrar uma escrita desfavorável é diretamente proporcional ao nervosismo e à falta de confiança que atingem o lado menos favorável de uma escrita, o do faminto por uma vitória.

Queda– A queda de rendimento do Leão dentro de casa não é um fato restrito aos clássicos. Fora o retrospecto recente do Vitória contra o Bahia no Barradão, o desempenho do Leão contra outros adversários no estádio também não inspira mais confiança.

A prova disso é que o rubro-negro foi o pior dentro de casa entre os finalistas do Campeonato Baiano, na primeira fase. Se antes Vasco, Palmeiras, Cruzeiro, Internacional passavam por dificuldades no alçapão rubro-negro, hoje, equipes menores como o Poções, que era lanterna, conseguem vencer.

Além do Feirense que, mesmo eliminado, conseguiu fazer quatro gols no Vitória dentro do seu estádio e por pouco não venceu.

Antigamente comparado a outros alçapões do futebol brasileiro como a Vila Belmiro, ou a Arena da Baixada, estádios com dimensões menores em que a pressão da torcida é muito grande e os times da casa não costumam perder pontos, o Barradão hoje pode até ser um local prazeroso para visitar.

“O estádio ainda é um fator extremamente positivo para os nossos jogadores, Acredito que de 95 pra cá, o Vitória sempre teve bons elencos. Antes, era uma casadinha: elencos bons e o Barradão dando apoio. Acho que hoje os insucessos estão mais ligados à limitação do time”, rebate Luciano Santos.

Ele não concorda com uma perda total da força do estádio, mas reconhece que alguns fatores limitaram o poder de decisão do Barradão.

“No início, a pressão e a mística eram mais valorizadas. Hoje, com o estatuto do torcedor, tudo tem que ser muito neutro”, explica Luciano Santos. Segundo ele, não havia nada de absurdo nas práticas do Vitória antes do estatuto do torcedor, mas depois qualquer tipo de ´malandragem´ passou a ser coibida.

“Nunca aconteceu nada de extraordinário no Barradão. Tô falando por mim. Acho um bom estádio, bom de se jogar. Somos bem tratados lá. Não tenho queixa nenhuma”, diz Ruy Acciolly.

Alçapão– Apesar das três vitórias do Bahia e dois empates nos últimos cinco clássicos no Barradão, a vantagem do Leão ainda é enorme. Em 34 jogos, são 21 vitórias do Leão, seis triunfos tricolores e mais sete empates. Metade das vitórias do Bahia aconteceu nos últimos dois anos.

Mas quais características do estádio mais contribuíram para essa larga vantagem rubro-negra? “Acho que isso está menos ligado às características físicas do estádio e mais aos fatores psicológicos. A fama do Barradão fez com que essa idéia do alçapão fosse criada. E acho que foi o Bahia mesmo que criou essa mística com o objetivo de inviabilizar os jogos lá, alegando que os fatores extra-campo atrapalhavam”, diz Luciano Santos.

“Se o Bahia tivesse se conformado em atuar lá com naturalidade, não teria criado essa pressão e provavelmente, a vantagem poderia ser menor”, acrescenta.

“Esse temor nunca existiu, não. Fomos campeões (do Baiano) em 98 lá, também fomos bi-campeões do Nordeste em 2002”, finaliza Ruy Acciolly.

Matéria publicada originalmente no Jornal A Tarde do dia 20/04/2008

Canhão do fazendão é o maior artilheiro dos Ba-Vis no Barradão

Leandro Silva

Ele não é atacante, mas gosta tanto de balançar as redes que é o maior artilheiro nos Ba-Vis do Barradão, com seis gols, todos em partidas válidas pelo campeonato Baiano. Essa é a marca de Lima Sergipano, o antigo canhão do Fazendão, que fez 84 gols com a camisa tricolor e é o 15° maior artilheiro da história do clube. Quase sempre se valendo da força dos seus potentes chutes de longa distância.

E ele desconhecia essa sua marca. “Não sabia, não. Coisa boa, né? Pra mim representa muita coisa ser o maior artilheiro dos Ba-Vis no Barradão. É motivo de muito orgulho pra mim. Principalmente, pelo tempo que eu passei no Bahia”, diz.

Cabo Lima, como era conhecido na época do tricolor, está com 41 anos. completados em março, mas ainda não pendurou as chuteiras. Ainda joga profissionalmente pelo Confiança do seu estado natal, e também está disputando o quadrangular final do estadual. “Acredito que até o ano que vem eu devo estar parando. Porque daqui a pouco vou estar jogando contra meu filho. Que já tá com 11 anos”, diz, rindo, Lima Sergipano.

Mas como não defende mais o Bahia, o canhão do Fazendão tem o seu reinado como maior artilheiro dos clássicos no Barradão ameaçado.

É que um dos vice-artilheiros estará em campo hoje, para preocupação do volante e dos torcedores do Bahia. É o meia Ramon Menezes, do Vitória, conhecido como Reizinho do Barradão e considerado um dos grandes carrascos do tricolor.

Ramon, que fez cinco gols, todos pelo Campeonato Baiano, garante que o Barradão lhe traz sorte. E realmente os números comprovam isso.

“Vou secar. Pra ele não fazer gol e não me passar. Principalmente, porque ele tá no Vitória. Para não fazer gol no meu Bahia”, diz o ´ainda tricolor´ Lima.

Apesar de torcer contra Ramon hoje, Lima fala sobre a sua relação com o meia na época em que atuavam no Bahia. “Era muito boa. Ramon é uma pessoa maravilhosa que eu respeito muito, mas domingo (hoje) eu vou secar ele”, diz rindo.

O cabeça de área ainda guarda nas lembranças os tempos em que defendia as três cores nos Ba-Vis. “Tenho muita saudade. Principalmente quando eu vejo na televisão, a Fonte Nova sempre lotada, na minha época. Participei de Ba-Vis decisivos. Queria poder estar aí ajudando o Bahia. Mas eu tô de longe torcendo para o Bahia alcançar bons resultados. Tenho uma pequena mágoa do Bahia porque não fui reconhecido no final por tudo que eu fiz e ainda ficaram me devendo. A dívida acho que não chega nem a 25 mil (reais). Pra o Bahia é muito pouco. Mas eu adoro a torcida do Bahia. Quando eu vestia a camisa era de corpo e alma”.

Lima ainda arrisca um placar para hoje. “Vai ser 2 a 0 para o Bahia”, chuta com força o volante.

Outros Artilheiros– Também meia, Adoilson ainda divide com Ramon a vice-artilharia dos clássicos disputados no habitat natural do Leão.

Já no elenco atual do Bahia, quem mais marcou neste estádio em clássicos foi Elias, com dois gols. Ele inclusive fez o tento que fechou a vitória por 2 a 0 no primeiro Ba-Vi deste ano.

A lista dos maiores artilheiros do clássico no Barradão, fornecida por um dos escritores do livro sobre o estádio, Alexandro Ribeiro, guarda algumas curiosidades. Por exemplo, o pitbull Uéslei foi o único que conseguiu fazer gols no Barradão com a camisa dos dois rivais. Ele marcou três pelo Bahia e um pelo Vitória.

Mas não foi o único a fazer as duas torcidas comemorarem. Já que o zagueiro Marcelo Heleno fez a alegria da torcida do Vitória com um gol a favor e fez a festa da torcida tricolor com dois gols contra na mesma partida.

Outra artilharia– Neste ano, Ramon pode alcançar uma outra marca no estádio. Atualmente terceiro na escala dos artilheiros em partidas oficiais no estádio, com 28 gols, o meia está 12 gols atrás de Allan Dellon, o primeiro. E o meia está confiante em entrar para a história também por este motivo.

Índio, com 34 gols, chegou perto, mas partiu para o Gyeongnam FC, do futebol coreano, antes de chegar aos 40 gols com a camisa rubro-negra. Além de Ramon, o volante Fernando e o meia Adoilson também já balançaram as redes do Barradão 28 vezes.

Matéria publicada originalmente no Jornal A Tarde do dia 20/04/2008

Resultados dos Ba-Vis no Barradão e Artilheiros

Resultado DATA CAMPEONATO PÚBLICO

Vitória 0x0 Bahia 03/11/1991 Baiano 91 9.711
Vitória 2x0 Bahia 12/02/1995 Baiano 95 12.874
Vitória 2x2 Bahia 09/04/1995 Baiano 95 14.250
Vitória 4x1 Bahia 14/05/1995 Baiano 95 18.420
Vitória 1x0 Bahia 11/06/1995 Baiano 95 22.720
Vitória 1x1 Bahia 17/03/1996 Baiano 96 21.447
Vitória 5x2 Bahia 14/04/1996 Baiano 96 4.447
Vitória 3x1 Bahia 02/06/1996 Baiano 96 14.840
Vitória 1x3 Bahia 13/04/1997 Baiano 97 24.410
Vitória 1x0 Bahia 11/05/1997 Baiano 97 7.742
Vitória 0x1 Bahia 15/06/1997 Baiano 97 25.692
Vitória 0x3 Bahia 05/04/1998 Baiano 98 25.808
Vitória 1x0 Bahia 24/05/1998 Baiano 98 29.621
Vitória 2x1 Bahia 30/05/1999 Baiano 99 21.640
Vitória 2x0 Bahia 20/06/1999 Nordestão 1999 8.146
Vitória 0x0 Bahia 02/04/2000 Baiano 2000 9.761
Vitória 2x1 Bahia 14/06/00 Baiano 2000 8.154
Vitória 3x1 Bahia 02/07/2000 Baiano 2000 24.211
Vitória 3x0 Bahia 27/05/2001 Baiano 2001 11.327
Vitória 3x0 Bahia 10/03/2002 Nordestão 2002 31.512
Vitória 2x2 Bahia 12/05/2002 Nordestão 2002 23.120
Vitória 4x3 Bahia 26/05/2002 Baiano 2002 3.930
Vitória 1x0 Bahia 03/11/2002 Brasileiro 2002 30.908
Vitória 3x2 Bahia 23/02/2003 Baiano 2003 5.992
Vitória 2x1 Bahia 12/10/2003 Brasileiro 2003 13.861
Vitória 2x0 Bahia 15/02/2004 Baiano 2004 19.548
Vitória 1x0 Bahia 18/04/2004 Baiano 2004 31.869
Vitória 6x2 Bahia 20/02/2005 Baiano 2005 9.702
Vitória 0x0 Bahia 17/04/2005 Baiano 2005 33.940
Vitória 2x1 Bahia 22/01/2006 Baiano 2006 14.217
Vitória 0x1 Bahia 21/05/2006 Baiano 2006 29.994
Vitória 1x2 Bahia 02/11/2006 Série C 2006 18.182
Vitória 1x1 Bahia 11/02/2007 Baiano 2007 24.855
Vitória 2x2 Bahia 09/05/2007 Baiano 2007 25.825
Vitória 0x2 Bahia 10/02/2008 Baiano 2008 21.211

Artilheiros dos Ba-Vis no Barradão

6 gols Lima Sergipano (Bahia)
5 gols Ramon Menezes (Vitória), Adoilson (Vitória)
4 gols Uéslei (Bahia e Vitória), Fernando (Vitória), André (Vitória)
3 gols Nadson (Vitória), Gilmar (Vitória)
2 gols Elias (Bahia), Nonato (Bahia)

Listas fornecidas por Alexandro Ribeiro e Luciano Santos e publicada originalmente no Jornal A Tarde do dia 20/04/2008

Darci costuma se dar bem no estádio do Leão

Leandro Silva

Durante oito anos, até aquela partida do dia 21 de maio de 2006, a simples menção de que iria haver um Ba-Vi no Barradão já era suficiente para causar calafrios em muitos torcedores tricolores e minar a confiança em uma vitória do Bahia.

A situação se modificou naquele dia, quando o Bahia conseguiu vencer por 1 a 0, resultado que não adiantou para o objetivo imediato do clube que era chegar à final do segundo turno do Baiano, mas foi de fundamental importância para o futuro do clube pois acabou com um tabu de oito anos e com o ´Fantasma do Barradão´.

“Não sei se é coincidência ou não, mas foi no meu primeiro Ba-Vi que o Bahia quebrou esse tabu”, diz o goleiro Darci.

Ele que ainda vestirá a camisa 1 do Bahia hoje, foi uma figura decisiva naquela partida. Quando o jogo ainda estava empatado, o arqueiro defendeu um pênalti que garantiu a igualdade no marcador até que no final, o zagueiro Laerte decretou a vitória tricolor.

Se Ramon diz que o Barradão lhe traz sorte, o goleiro pode dizer o mesmo. Nas três vezes em que atuou no estádio, pelo Bahia, saiu vencedor. Ou seja, esteve presente em metade das vitórias tricolores no Barradão.

Mais que isso, na segunda partida que atuou no Manoel Barradas, voltou a pegar um pênalti, na Série C de 2006, quando o Bahia venceu por 2 a 1.

Em 2007, Darci não ficou no Bahia e não participou dos dois empates do ano. Mas no atual Campeonato Baiano, ainda em fevereiro, Darci não voltou a pegar um pênalti, mas em compensação, fechou o gol e foi considerado melhor em campo. Fundamental para garantir a vitória por 2 a 0.

Matéria publicada originalmente no Jornal A Tarde do dia 20/04/2008

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Primeiro Bavi do ano

Leandro Silva

O primeiro Bavi do ano serviu para mostrar que, ao contrário do que muitas pessoas insistem em dizer, o Bahia está lutando de igual para igual com o Vitória pelo título Baiano. O jogo teve todos os ingredientes dos grandes clássicos: emoção, qualidade técnica, polêmica, expulsão e gols.

No final a torcida tricolor teve mais motivos para comemorar do que a rubro-negra, afinal, além de ter saído atrás no placar, o time conseguiu suportar a pressão do Leão no segundo tempo mesmo com um jogador a menos. Destaques para as atuações de Rogério, Preto, Moré e Paulo Musse. No Vitória, destaque para Índio e Apodi que com suas cavadas de falta conseguia desestabilizar o Bahia e provocar um pênalti e uma expulsão.